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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2020
 
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13/10/2020
Fonte: Diário do Nordeste
CE - Com olhos na dessalinização
Negócios
por Egídio Serpa
 
Para os empresários da agropecuária cearense, serão as usinas de dessalinização - a serem instaladas ao longo do litoral do Estado, principalmente no Leste de sua geografia - que, no futuro próximo, garantirão a oferta hídrica para os projetos da agricultura irrigada que produzem e exportam alimentos para o consumo humano e animal. Por esta razão, eles seguem com interesse o processo licitatório administrado pela Cagece, que, nos próximos dias, anunciará o vencedor do certame aberto para a construção da primeira dessas usinas na Praia do Futuro, cuja produção - de 1 m³ por segundo de água doce - será injetada, já tratada, na rede distribuidora da estatal cearense. O Grupo Marquise - assessorado pela SM Consultoria - ofereceu à Cagece o melhor preço para a água a ser produzida pela usina, mas sua proposta segue em análise pela estatal cearense. O volume de 1 m³/s é pequeno para o atual consumo da Grande Fortaleza, que gira em torno de 10 m³/s. Mas o empreendimento balizará os projetos das futuras dessalinizadoras, que são e serão necessárias ao longo do litoral de Aracati e Icapuí, onde se encontram grandes áreas propícias à fruticultura irrigada.
 
Os agropecuaristas interessados no desenlace do processo licitatório da Cagece querem conhecer, principalmente, os detalhes financeiros da proposta da Marquise, pois eles poderão guiar os projetos das próximas usinas. Um empresário com projeto de agricultura irrigada na Chapada do Apodi disse à coluna que poderá investir na construção de uma usina dessalinizadora, "se o retorno do investimento compensar". Na sua opinião, todo Leste do Ceará - incluindo os municípios de Aracati, Icapuí, Quixeré, Limoeiro do Norte e Tabuleiro do Norte - compõe a " Califórnia cearense", cujo futuro dependerá da oferta de água. Para assegurar, permanentemente, essa oferta aos empreendimentos do agronegócio naquela região, a saída será a dessalinização da água do mar, que poderá ser transportada do litoral para o interior por adutoras tubulares enterradas. "Vamos aguardar mais alguns dias para conhecer os detalhes técnicos e financeiros da proposta da Marquise. A tecnologia da osmose reversa está à disposição e já é utilizada largamente em várias partes do mundo, inclusive nos EUA", disse a mesma fonte.
 
SALGADO-APODI
 
No fim de julho passado, os presidentes das federações das indústrias e da agricultura do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba encaminharam ao presidente Jair Bolsonaro e ao ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, um detalhado documento técnico em que solicitaram a construção do Ramal Salgado-Apodi, integrante do Projeto S. Francisco de Integração de Bacias. O presidente deu o sinal verde.
 
Na próxima sexta-feira, 16, no auditório da Fiec, o ministro Marinho assinará, na presença dos signatários do documento que a tudo deu origem, o Edital de Licitação para a construção do ramal Salgado-Apodi, que levará água do São Francisco a várias cidades dos sertões da Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, incluindo Mossoró, que tem hoje cerca de 400 mil habitantes.
 
Concebido pelo engenheiro Francisco Teixeira, secretário de Recursos Hídricos do Ceará e ex-ministro da Integração Nacional, a ideia desse ramal foi apresentada em almoço que o reuniu, em junho, com cerca de 20 empresários da agropecuária cearense, que a levaram à apreciação dos presidentes da Fiec, Ricardo Cavalcante, e da Faec, Flávio Sabóya, que com ela concordaram imediatamente.
 
O passo seguinte foi buscar o apoio dos presidentes das federações das indústrias e da agricultura do Rio Grande do Norte e da Paraíba, os outros estados receptores, que também apoiaram a ideia.
 
Em seguida, com o apoio técnico do agrônomo Ramon Rodrigues, secretário adjunto da SRH, foi elaborado o documento técnico, devidamente ilustrado por mapas que localizaram cada trecho do Ramal Salgado-Apodi, o qual foi assinado pelos líderes da indústria e da agricultura dos três estados.
 
No dia 28 de julho, os presidentes da Fiec e da Faec, acompanhados do empresário Luiz Roberto Barcelos, sócio e diretor institucional da Agrícola Famosa e da Abrafrutas, e do industrial e agricultor Raimundo Delfino - em cujo avião viajaram - entregaram a reivindicação ao ministro Marinho.
 
Trata-se de um sonho sonhado pelos agropecuaristas cearenses, potiguares e paraibanos desde que o projeto S. Francisco foi anunciado. Pode tornar-se realidade com o evento da próxima sexta-feira, na Fiec, cujo presidente Ricardo Cavalcante prepara a casa para o que será mesmo um ato histórico.
 
 

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